quarta-feira, 5 de outubro de 2016

o que virá depois
além de um novo dia
além do sol 

do som 
da voz?

                         
   (José Carlos de Souza)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

(estrela cadente)


nunca mais ouvi
seu grito estridente
fiquei órfão do seu brilho
perdi minha confidente

                                                 
os pedidos
as súplicas
ficou tudo na incerteza
entre o mistério e a beleza

                                                  
não querendo matar a poesia
que mora no olhar
preferi orar pela profecia
e acreditar na magia
do seu rastro pelo ar

                                                 
        (José Carlos de Souza)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

(o sol não se apaga)



não havia nada entre nós
nem música, nem dança
nossos passos trilhavam outros caminhos

com o passar do tempo
vieram as mudanças
e com elas a cumplicidade
e o entendimento

mudou de cor o cenário
ganhou vida as estações
acenderam-se as fogueiras
aceleraram-se os corações

agora anoitece
e o dia não acaba
escurece mas o sol não se apaga

          (José Carlos de Souza)

sábado, 17 de setembro de 2016

(tempo de espera)



tento aquecer a noite
ouvindo nossas canções
nenhuma frase
reaviva a memória
nenhum poema
ativa os sentidos
é como se tivessem
apagado os nossos passos
cortado os laços
violado o espaço

se ando te vejo
no outro lado da história
se durmo sonho com você
do outro lado do espelho

                                                       
em tempo de espera
espinho por fora fere
e por dentro d-i-l-a-c-e-r-a
para aguentar o tranco
trinco os dentes e soco o ar
xingo em versos brancos

conto até dez para não surtar
e com a ponta dos dedos
vou riscando o céu
digitando segredos
                                                             
          (José Carlos de Souza)

(arremedo...)


arremedo é medo/de parir o novo
                                                             
           (José Carlos de Souza)


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

(me sinto leve)


Jah, não tenho amor
Jah, não tenho paz
Jah, não sou capaz
de aguentar a dor


não posso desesperar
não posso me submeter
o som vem em ondas pelo ar
tiro onda para não enlouquecer

                                                                  
com Jah aprendi a voar
olhar viajando céu e mar
com Jah aprendi a pensar
brisa abraçando o luar

de autoestima elevada
cara limpa e alma lavada

(mens sana in corpore sano) 
me sinto leve, mano

Jah, não tenho medo
Jah, não tenho dor
Jah, respiro paz
Jah, sou puro amor

                                            
   (José Carlos de Souza)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

(Matraga)



seus olhos são
peixes distantes
distintos feixes
de luzes errantes
capaz de beber o céu
em seu azul de paz

amarra-se aos encantos
da moça mais bela
na mística devoção
de todos os santos

mas quando tornamo-nos pária
a hora agita-se arbitrária
e a vida... irremediavelmente precária
...para o longe não tem estrada

rolaram as águas mortas das lembranças
e com elas vieram as armas
o duelo era mais do que natural
pois o bem e o mal vestem igual

                                                                           
       (José Carlos de Souza)

[Rasuras]

 https://docs.google.com/document/d/1RiNiHoNbVRRHGmWqEyTcTr4-6DfNcbIw/edit?usp=drivesdk&ouid=108254124472943194288&rtpof=true&sd...